terça-feira, 16 de outubro de 2007

Resenha de Pablo Bitu Lira Cavalcante

Eudinyr Fraga, em trabalho dos anos 80, defende que Qorpo Santo(QS) seja enquadrado como autor surrealista, por fazer uso constante em seu texto do "automatismo psíquico", que caracterizaria aquela corrente estética: "Suas personagens são sempre projeção dele próprio, e com ele muitas vezes se confundem, como observamos pelo conhecimento de sua biografia. Inclusive, deixam a categoria de personagens e assumem um tom discursivo, lamentando as infelicidades e as injustiças sofridas pelo criador. Por outro lado, não tem preocupações estéticas. Suas lamúrias estão sempre a um nível existencial, ou melhor, individual. Sua obra visa satisfazer uma necessidade interior que a expressão determina”.
Entre os autores que estudaram QS, a análise mais profunda segue sendo a realizada por Flávio Aguiar, ainda na década de 1970, em Os homens precários, resultado de sua tese de mestrado em literatura. Na mesma, Aguiar analisa em detalhe o teatro de QS, e foge argutamente à discussão sobre ser QS o precursor não reconhecido de modernas tendências do teatro moderno. Para Aguiar, QS constrói um teatro da paralisia, em que o pano de fundo da moralidade vigente é antagonizado pelo desenrolar dos acontecimentos, em atropelo da possível lógica de seus enredos: “Nas peças de Qorpo Santo, o desenrolar dos acontecimentos (o ritmo do tempo) é caótico demais para que dele possa nascer, ‘espontaneamente’, qualquer conclusão lógica”.
Trecho retirado do site : http://www.revista.agulha.nom.br/ag44santo.htm


Comentário:
Qorpo Santo(QS), José Joaquim de Campos Leão, pode ser enquadrado como um autor surrealista.Mas ao meu ver ele foi um dos precursores do teatro do absurdo.O uso de diálogos com elementos ilógicos e chocantes, como gritos e respostas desconexas.QS fazia uso do ” automatismo psíquico", porém o psíquico do autor era super pertubado, logo suas peças são pertubadoramente absurdas.O autor teve sua insanidade diagnosticada em sua cidade natal, Porto Alegre.Entretanto QS não se conformou com o diagnóstico indo então se examinar no Rio de Janeiro, o resultado novamente confirmou o transtorno psíquico de Qorpo Santo.
Há quem defenda que Qorpo Santo não era louco.Apenas foi estigmatizado pelo teor das suas obras.Fato é que, após o diágnostico Qorpo Santo passa a escrever febrilmente e se isola quase que completamente de uma vida social.Esse comportamento esquizofrenico do autor é retrado com fidelidade em suas obras.Considero assim suas obras não de surrealismo, mas de algo novo, talvez derivado do surrealismo, pórem com uma proposta mais crítica a todos os aspectos humanos.

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